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segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Pintura: problemas e soluções – descascamento em alvenaria

Um dos problemas mais comuns que ocorrem em pinturas é o descascamento, ou desplacamento.
Quando uma parede começa a descascar, não há mais o que fazer porque a tinta já está comprometida, mas você pode tomar cuidados antes da pintura, para que o problema não ocorra.
Primeiro vamos entender o que é o descascamento.
O descascamento ocorre pela perda de aderência do filme da tinta com a parede. A tinta é um filme plástico que adere ao substrato, e esta aderência, devido a diferença de composição entre os componentes, depende de condições favoráveis.
O primeiro fator é a isenção de partículas soltas. Para entender, imagine que você colocou um pedaço de fita adesiva em uma janela de vidro, e esta fita começa a soltar. Se você colocar outra fita sobre ela, não aumentará a aderência da primeira, porque a segunda está ancorada na que está solta, e não no vidro, o resultado é que os dois pedaços irão cair. Com a tinta sobre partículas soltas é a mesma coisa, a tinta adere na partícula, mas como esta está solta, caem as duas. Então não tenha ilusões, remova todas as partículas soltas, poeira, placas de massa, tinta velha, areia, etc.
Umidade também prejudica a aderência. Se houver umidade, identifique a causa e a elimine. Em alguns casos pode ser necessária obra civil.
Em paredes novas, é importante aguardar o tempo de cura do cimento, em geral do reboco que é o ultimo acabamento antes da pintura. Durante a cura (ou secagem) o cimento perde água, que arrasta para a superfície sais alcalinos, que podem atacar o filme da tinta, alem de que a tinta pode oferecer alguma vedação a evaporação desta água, que formará bolhas que por sua vez criarão uma pressão para evaporar. Em geral devesse esperar no mínimo 30 dias de cura antes de emassar e pintar, e após este tempo, lixar e lavar a parede, ou no mínimo passar um pano úmido após a lixa.
A cal também é um veneno para posteriores pinturas, por que alcaliniza demais a alvenaria.
Pintar paredes aquecidas pelo sol pode fazer o solvente evaporar muito rápido, não dando tempo para a tinta curar. Você pode ter uma falsa impressão que a tinta está seca, quando na realidade ela está ressecada, e não teve tempo de completar o processo de aderência.
Pintar em dias de chuva nem pensar. Se chover, aguarde no mínimo três dias de estiagem para que a umidade absorvida evapore, mesmo em paredes internas, por que o ar interno está muito úmido, e a alvenaria naturalmente absorve esta umidade.
Outro erro comum é não diluir corretamente a tinta, ou pior, aplicá-la sem diluição. A tinta não espalha e não ancora nos poros da parede. Fica, por assim dizer, muito "grossa".
Em todos os casos, utilize sempre o selador, que vai criar a interface adequada para receber a tinta.
Algumas dicas que nunca é demais repetir: leia as instruções da embalagem, e sempre use os componentes da pintura (selador, massa, tinta) do mesmo fabricante, por uma simples questão de compatibilidade.
Quanto a qual marca escolher, bom isto fica por sua conta. Em princípio não existem tintas ruins, existem sistemas de pintura mal dimensionados e mal aplicados.
O ideal é recorrer a um profissional habilitado, e, lembrem-se, quem entende de tinta é o químico.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Cor e Colorimetria.

O vazio do Universo na realidade é preenchido por energia, que se propaga na forma de ondas eletromagnéticas. Uma estreita faixa de comprimento de ondas é captada pelos nossos olhos. A esta faixa dá-se o nome de luz visível, ou simplesmente luz. As cores são fragmentos desta faixa e ocorrem da seguinte maneira: a luz incide sobre um objeto (sólido, líquido ou gasoso) e é refletida ou o atravessa. Os materiais nem sempre refletem toda a faixa de luz, absorvendo parte dela. A porção refletida é interpretada pelo olho como uma cor específica, correspondente ao comprimento da onda refletida. A essas frações da luz visível chamamos de COR. Quando toda a faixa é refletida, chamamos de BRANCO, e quando toda a faixa é absorvida, não havendo reflexão, chamamos de PRETO, que na realidade não é cor e sim a ausência de reflexão.

Isaac Newton (1643-1727), entre 1670 e 1672, decompôs a luz branca e descreveu as cores primárias. Quando trabalhamos com fontes luminosas, as cores primárias são chamadas de aditivas e são o verde, o azul e o vermelho. Quando trabalhamos com cor pigmento, as cores primárias são chamadas de substrativas e são o amarelo, o ciano e o magenta.

Misturando-se as cores primárias duas a duas, obteremos as cores secundárias:


Vermelho + verde = amarelo
Azul + vermelho = rosa
Azul + verde = azul claro

Magenta + amarelo = vermelho
Amarelo + ciano = verde
Magenta + ciano = azul



Misturando-se as cores em diferentes proporções, poderemos obter todas as outras cores possíveis e imagináveis. A luminosidade (claro, médio ou escuro) acrescenta-se às variações de cor, é ela que diferencia o rosa do marrom, por exemplo. No caso dos pigmentos é necessário acrescentarmos um corante preto (aumentando a absorção) ou branco (diminuindo a absorção) para darmos o efeito desejado de luminosidade.

Com a industrialização e a produção em larga escala, surgiu a necessidade de repetição de cores, inclusive nas relações comerciais, pois as empresas precisavam cada vez mais buscar clientes geograficamente distantes, e estes necessitavam de uma referencia para definir exatamente o que querem, e sempre receber os lotes iguais aos anteriores. Imagine, por exemplo, na indústria automobilística, trocar o lote da tinta no meio da pintura de um carro, e a cor da lata nova estar diferente da anterior.

Em 1905, Albert H. Munsell começou a estudar as cores, e criou uma classificação que serve de baliza até os dias atuais. Desde então, outras classificações de cor tem sido criadas, na tentativa de padronização, mas ainda no foi estabelecido um único padrão universal, cada relação cliente/fornecedor utiliza o que é mais conveniente. É comum cada fabricante de tintas criar sua própria palheta de cores, com nomes próprios, mas todos se baseiam em uma das classificações a seguir.

Classificações mais usadas atualmente:



Codificação RGB

A codificação RGB (Red, Green, Blue) é a síntese aditiva e foi desenvolvida em 1931 pela Comission International de l'Eclairage (CIE), que consiste em representar o espaço das cores a partir de três radiações monocromáticas: - vermelho (de comprimento de onda igual a 700,0 nm), - verde (de comprimento de onda igual a 546,1 nm), - azul (de comprimento de onda igual a 435,8 nm).

Codificação CMY


A codificação CMY (Cyan, Magenta, Yellow, ou Ciano, Magenta, Amarelo) é a síntese subtrativa. Este modelo consiste em decompor uma cor em valores Ciano, Magenta e Amarelo. Teoricamente, se consegue o preto misturando-se as três, assim conseguindo um pigmento que absorveria todo o espectro luminoso, no entanto, o preto obtido pela soma das três cores é tão somente parcialmente preto, na prática (e custando caro), as impressoras acrescentam um componente de tinta preta que chamam preto puro, geralmente a base de negro de fumo, um subproduto da indústria de petróleo. Fala-se então de tetracromia, ou modelo CMYK (Cyan, Magenta, Yellow, Black ou Ciano, Magenta, Amarelo e Preto puro).
O pigmento branco é obtido usando-se o dióxido de titânio. Algumas indústrias utilizam uma mistura do dióxido de titânio e carbonato de cálcio, bem mais barato, porém menos eficiente.

Codificação HSL


O modelo HSL {Matiz (hue), Saturação (saturation), Luminosidade (luminosity), ou em francês TSL (teinte, saturation, luminosité)}, apoia-se sobre os trabalhos do pintor Albert H. Munsell (que criou O Atlas Munsell), é um modelo de representação dito "natural", isto é próximo da percepção fisiológica da cor pelo olho humano.

Codificação CIE


As cores podem ser percebidas diferentemente de acordo com os indivíduos e podem ser apresentadas diferentemente de acordo com os periféricos de aquisição. A Comission International de l'Eclairage (CIE) por conseguinte definiu padrões que permitem definir uma cor independentemente dos periféricos utilizados. Para esse efeito, a CIE definiu critérios baseados na percepção da cor pelo olho humano, graças um triplo estímulo. Em 1931 a CIE elaborou o sistema colorimétrico xyY que representa as cores de acordo com a sua cromaticidade (eixos x e y) e a sua luminosidade (eixo Y). O diagrama de cromaticidade (ou diagrama cromático), procedente de uma transformação matemática que representa sobre a periferia as cores puras, isto é as radiações monocromáticas que correspondem às cores do espectro (cores do arco-íris), localizadas pelo seu comprimento de onda. A linha que fecha o diagrama (por conseguinte que fecha as duas extremidades do espectro visível) nomeia-se a reta das púrpuras, porque corresponde a cor púrpura, composta das duas radiações monocromáticas azuis (420 nm) e vermelhas (680 nm). Note que ao centro, no encontro de todas as cores está o branco.

Palhetas de cores

Conforme dissemos, cada fabricante cria suas próprias palhetas, todavia, com o advento da computação gráfica, os programas de criação e editoração acabaram popularizando alguns, que hoje tem a tendência de serem usados como padrão.
São eles:

-Pantone (baseado na quadricromia CMYK)
-HKS
-Trumatch
-Focoltone
-Kodak
-Spectra Master
-Toyo Color
-DIC Colors
-Lab Colors (Um modelo de cor que contém um componente luminoso (L) e dois componentes cromáticos: "a" (verde para vermelho) e "b" (azul para amarelo).

Como é difícil !...
Pois é, caro leitor, como você pode ver, cor é uma coisa complexa, nem mesmo a medicina chegou à conclusão se o azul que eu vejo é o mesmo azul que você vê, pois se acredita que pequenas variações na conformação da retina podem variar em muito a percepção das cores, o que explicaria a dificuldade que temos em definir cores intermediárias.

De qualquer forma, este artigo não tem o objetivo de encerrar o assunto, e sim de despertar o interesse, ficando a cargo da curiosidade e da necessidade de cada um pesquisar mais.
De nossa parte fica o compromisso de voltar a tocar no tema, sempre estimulado por questionamentos futuros.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

A Preparação Da Parede Para A Pintura

A maioria dos problemas que encontramos em pinturas é a preparação incorreta da parede antes de receber a tinta. Muitas vezes a parede não recebe preparação nenhuma.
Como não é difícil de imaginar, a adesão de dois materiais diferentes, a alvenaria e a tinta, é algo complicado, e coisas pequenas podem comprometer esta estabilidade.
O primeiro cuidado que se deve ter antes de iniciar a pintura de uma parede é avaliar se existem indícios de umidade, tais como vazamentos, infiltrações, etc. Esta umidade deve ser eliminada. Não adianta tentar pintar uma parede úmida, pois a tinta não irá aderir, ou então descascará em pouco tempo. Depois de eliminada a causa da umidade, aguarde pelo menos quinze dias para total secagem da parede, principalmente se for uma parede externa. No caso de uma parede externa que esteja exposta a chuva, três dias de sol é suficiente, pois a umidade não vem de dentro, é apenas absorvida na superfície. Estes prazos, no entanto são aproximados, procure observar e usar seu sentimento, e mesmo o tato, o importante é você sentir segurança de que a parede está seca.
Outra coisa a ser avaliada é a sujeira, como poeira, gordura, mofo, bolor e outras. Tudo isto é material solto que impede o contato da tinta com o substrato. Tudo isto deve ser removido com lixa, água e sabão. Não utilize apenas a vassoura, pois ela não remove o problema, só muda de lugar. No caso dos fungos, como mofo e bolor, após a lavagem com sabão, deve ser feita outra com escovão duro e água sanitária diluída em água limpa na proporção de 1:1, até que visualmente não se identifique mais nenhum traço, aguarde quinze dias e repita a lavagem com água sanitária, e depois mais três dias de secagem. A segunda lavagem é necessária por que os fungos e bactérias quando sofrem algum ataque entram em estado de vida latente, para depois eclodirem mais refeitos, mais ou menos em quinze dias, quando você acaba de remover os que sobraram.
No caso de partes soltas, como tintas velhas descascando, massa e reboco soltando, areia do acabamento e coisas assim, deve ser tudo removido com espátula e lixa. Não adianta pintar sobre o que está solto, a tinta vai aderir nas partículas e não na parede.
Agora, finalmente que sua parede está descontaminada, livre de partes soltas e seca vamos começar a prepará-la.
Utilize um selador adequado ao tipo de parede que você vai pintar. As indústrias de tintas desenvolvem produtos cada vez mais específicos. Na dúvida sobre qual utilizar, a primeira dica é que você utilize o selador e a tinta do mesmo fabricante, por uma questão de compatibilidade. Procure ler os rótulos e consultar o site da marca que você elegeu, para escolher o sistema selador/tinta que é mais indicado para sua necessidade. No rótulo da lata está a proporção da diluição indicada, acredite nestas informações, elas foram escritas por pessoas que pesquisaram e estudaram muito antes de fazer aquela recomendação, procure usar a mesma forma de medida sempre (o mesmo copo, ou a mesma garrafa pet) para que a diluição das várias porções seja sempre igual. Também é importante respeitar o tempo de secagem antes da primeira demão de tinta. Importante: a demão de selador NÃO é a primeira demão de tinta.
Chegou a vez da tinta, esta é a parte mais fácil. Tenha os mesmos cuidados que você teve com o selador: siga a diluição recomendada, utilize os mesmos recipientes para fazer as medidas, respeite os tempos de secagem entre demãos, e aplique pelo menos duas demãos, por mais que algum "especialista" diga que uma basta. Quanto as ferramentas, o rolo dá mais rendimento e uma cobertura mais uniforme, mas para superfícies muito ásperas ou rugosas pode ser mais indicado o pincel para alcançar cantos profundos.
Com relação as cores, bom isto vai do seu gosto, o importante é que você se sinta bem ao olhar o resultado do seu trabalho.